segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A educação é prioridade

A educação é base do desenvolvimento de todos os países considerados ricos no mundo globalizado. Ela deve ser sempre prioridade de governantes sérios, compromissados com o futuro de um município, de um estado, de um país e de sua população.

Nesta análise, nada mais justo, então, do que a determinação de investimentos maciços no setor, por parte dos administradores públicos. Infelizmente, não é o que acontece. No Brasil, muitos dos governantes entendem os investimentos em educação como gasto público, e não investimento real, para o futuro. Com isso, nossos alunos acabam sendo prejudicados, pois têm um ensino de qualidade duvidosa, baseada em projetos também duvidosos, ou em planos mirabolantes que prometem acabar com o analfabetismo e a repetência escolar num passe de mágica. Passe de mágica mesmo, como é o caso da Progressão Continuada em São Paulo.

Somente agora é possível realizar a avaliação e a leitura correta dos resultados da nova política educacional instituída e mantida pelos sucessivos governos do PSDB em São Paulo e no Brasil. Teoricamente, a progressão continuada é uma excepcional forma para resolver de uma só vez dois grandes problemas enfrentados pela educação até sua implementação: Um é de ordem pedagógica e o outro, estatístico/financeiro.

Para muitos educadores, a progressão continuada eleva a auto-estima do aluno, uma vez que não existem riscos de repetência, e, embora ela possa ocorrer ao final do ciclo, raramente se tem notícia de que foi efetivamente aplicada quando o aluno apresentava problemas de aprendizagem, ou seja, acabou virando promoção automática.

O segundo problema, estatístico/financeiro, existia em virtude de o Brasil necessitar cumprir as metas estabelecidas no plano decenal da educação brasileira, para a redução do número de crianças fora da escola e os indicadores de repetência escolar, e, é extremamente coerente afirmar aqui, que reduzir o número de crianças repetentes significa reduzir, e muito, os gastos com o setor para o Estado.

Os resultados desta política todos conhecem: hoje muitas crianças chegam a 8ª série sem saber ler e escrever adequadamente, aumentando assim a exclusão social da população que, não conta com nenhum tipo de qualidade de ensino. Dizer que a culpa é dos professores é cômodo, pois assim, salvam-se as boas intenções do governo, e de boas intenções o “inferno está cheio”.
Desde a implantação da proposta, muitas necessidades foram deixadas de lado pelos governantes, como a forma como seria aplicada essa nova política educacional, como os docentes assimilariam a proposta, como foi criada a política, se houve ampla discussão do novo sistema com a sociedade e com a comunidade escolar, qual o apoio que seria oferecido aos docentes para o entendimento, discussão e reflexão das mudanças e de suas conseqüências no futuro, entre muitas outras questões que poderiam ser levantadas aqui.

O que se viu, no entanto, nas escolas paulistas, foi a imposição “goela abaixo” de uma nova proposta, considerada renovadora sem dúvida alguma, teoricamente sem erros, mas uma proposta que não deu à comunidade escolar a possibilidade de reflexão sobre sua prática, sobre o que e como fazer a partir da mudança pedagógica imposta aos professores e professoras, aos alunos e alunas e a toda a comunidade escolar.

Foi justamente aí que a progressão continuada virou promoção automática, foi aí também que muitos de nossos alunos se “perderam” e foram perdidos em nossas escolas, e hoje são encontrados nas oitavas séries do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever, e, pior, ainda “progredindo” para o ensino médio, lamentavelmente, nas mesmas condições em que chegaram ao final do ciclo II do Ensino Fundamental. Nosso futuro, lamentavelmente, está comprometido por essa política nefasta implantada por Covas/Rose Neubauer, e mantida por Alckmin/Chalita e seus sucessores. O insucesso de nossos alunos é desses irresponsáveis. É hora de arregaçar as mangas e trabalhar para arrumar a casa.