sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Polícia X Polícia: A culpa é do PSDB e de Serra

"Não vamos negociar com uma arma no pescoço". Essa foi a última frase proferida pelo governador José Serra durante entrevista no Palácio dos Bandeirantes na noite da última quinta-feira, para divulgar que o Governo não vai negociar com os Policiais Civis em greve. Na realidade, a frase serve para ilustrar o que tem sido os mais de 14 anos de governo exercidos pelo PSDB e a corja que se aninha nas salas e gabinetes do Governo de São Paulo.

O confronto entre policiais civis e militares na tarde da quinta-feira foi provocado pelo próprio José Serra e seu partido. Ao jogar pessoas que cuidam da segurança da população paulista uns contra os outros, Serra demonstra nenhuma habilidade política para resolver um dos mais graves problemas do funcionalismo público paulista. Ora Governador, quem está "com uma arma no pescoço" são os milhares de servidores públicos estaduais desvalorizados pela política neoliberal de seu governo e de seus companheiros de partido desde que assumiram a chefia do Executivo de São Paulo. A começar por Mário Covas, e, na seqüência Geraldo Alckmin, os governos tucanos arrebentaram com o funcionalismo paulista com a desculpa de que era preciso promover o ajuste financeiro do Estado. Venderam estatais para arrecadar dinheiro para suas campanhas políticas e quem paga o preço são os servidores da ativa, aposentados e o povo paulista.

O arrocho é o mesmo que "uma arma no pescoço". Se comparados a outros estados, os salários pagos pelo mais rico Estado da Federação aos seus servidores são motivo de chacota nacional. Existe a possibilidade de melhorar os salários sim. Os governantes afirmam que os salários são adequados, mas, eles mesmos recebem valores muito superiores aos pisos pagos aos servidores. Assim é fácil falar que os salários são adequados. A valorização profissional deve ser feita com reajustes que reponham os índices inflacionários e promovam reajustes reais, a fim de que os servidores possam manter com dignidade seus familiares. Mas não é assim que pensam e agem os governantes estaduais do PSDB. "Que se danem os servidores", deve ser o pensamento deles. E para os aposentados a situação é pior ainda.

O confronto entre policiais civis e militares mostra esse descaso. O Governador veio a público dizer que a greve é eleitoreira. Ora Serra, enxergue a realidade: a greve é por necessidade. Acha então, que todos os servidores que reclamam de salário querem derrubar você e seus asseclas peessedebistas porque estão pensando nas eleições da capital? E os policiais do interior do Estado que foram ao ato da última quinta na capital, também estão pensando em ajudar algum candidato contrário a você? É muita arrogância e prepotência. O que querem os policiais civis é o mesmo que querem os policiais militares (que não podem fazer manifestações, caso contrário serão presos conforme determina o Regimento Disciplinas da PM e a Constituição Federal e Paulista), os professores, os servidores da saúde e de todas as outras secretarias de visibilidade do Governo Estadual.

O que todos querem é dignidade, é reajuste salarial sim, sem arrocho e sem demagogia. Não quer enfrentar greve, cumpra a data-base aprovada pela Assembléia Legislativa, lei que você desrespeita. Todos querem melhores condições de vida, que dependem de salários adequados pela profissão exercida. Não reclamariam se estivessem recebendo o merecido. Na realidade, esses governantes são arrogantes, e, mesmo dependendo do apoio popular, resolvem agir de acordo com seus interesses e preceitos. A política do Estado Mínimo do Neoliberalismo é o que interessa, pois sem investimentos em setores essenciais à população, sobra mais dinheiro para obras que rendem comissões e outras vantagens aos governantes. Para a população e os servidores públicos? A estes sobram as bananas...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dia do Professor: Não há o que comemorar...

* Paulo Lyra

Neste dia 15 de outubro se comemora o Dia do Professor. Lamentavelmente, não temos muito que comemorar.

Desde meados da década de 1900, os professores e a educação paulista estão sendo vítimas de um deliberado governo neoliberal, que arrocha salários e faz de tudo para que o ensino não tenha qualidade, embora o apregoado na imprensa seja outra coisa.

Progressão continuada, recuperação de férias e de ciclos, e, por último, o apostilamento do ensino paulista de acordo com a vontade de um grupo de profissionais de gabinete que não têm noção real do que é uma aula ao vivo e a cores.

Os profissionais em educação foram relegados a segundo plano, aviltados em seus direitos, desrespeitados em salas de aulas por todo o Estado, e, agora também em Pereira Barreto, quando alguns alunos se acham no direito de proferir impropérios aos seus professores, ou, até mesmo agredi-los fisicamente.

Infelizmente, o Dia do Professor não é um grande dia neste ano. Mais uma vez o desrespeito marcou a campanha salarial desenvolvida pela APEOESP e parte de seus associados. Mais uma vez a categoria mostrou estar despreparada para enfrentar os desmandos e o descaso do governo estadual para com a educação. Os que pararam, grevistas, foram punidos com o desconto em folha, realizado com a intenção de forçá-los a retornar às aulas o mais rápido possível, e o fato propagandeado em rede nacional, para demonstrar o descaso do governo, que divulgava inverdades sobre índices de reajustes elevados, numa mentira que englobava a concessão da incorporação de abonos e gratificações por parte do governo. Os professores já ganhavam isso, portanto, não foi reajuste de salário, mas, dito pela imprensa e com o aval do Governo, é como a prática nazista de Josef Goebels, de que uma mentira dita 100 vezes, vira verdade absoluta.

Isso é o governo PSDB em São Paulo. Já são mais de 14 anos de poder, e os professores e outras categorias do funcionalismo público não conseguem emplacar uma vitória de destaque no embate patrão-empregado.

Via de regra, a Polícia Civil de São Paulo está em greve. Ainda não se tem notícia de eventuais descontos na folha de pagamento, mas quanto a isso, fui informado por um amigo policial civil de que o desconto não ocorreria, uma vez que todos estão assinando o ponto normalmente, mas não estão trabalhando. Seria a chamada Greve branca que tanto a APEOESP evita? Ao que parece sim, mas não vem ao caso.

Vale lembrar que o Dia do Professor não tem motivos para ser comemorado pelos professores. Lamentavelmente, as instituições estão deterioradas em seu poder de reivindicação, e, assim, é mais fácil realizar festas comemorativas do que realizar paralisações acertadas, como neste momento em que a Civil está em greve, e poderíamos reforçar a luta de todos os funcionários do Estado por salários mais justos e dignos. Não encerrar o ano letivo seria uma forma de pressionar o governo do Estado, mas, parece fora de cogitação.

Mesmo contrariado, sou obrigado a reconhecer que Gustavo Ioshipe, colunista da Veja e conferencista está certo: não é o salário que melhora a educação. Só discordo de sua fala ao entender que o que melhoraria e educação seria contar com professores mais politizados e dispostos ao enfrentamento com um governo que se nega a reconhecer que ele errou com seus projetos educacionais e com o achatamento salarial. Lamentavelmente, os incultos vencem com o discurso de que não podem deixar de receber o mísero salário devido às dívidas contraídas, muitas vezes, com o próprio pagador através de seu banco oficial, a Nossa Caixa, que concede empréstimos a "juros baixos" e renegociações destes prolongando a quantidade de meses a pagar, mantendo na "lona", por anos, professores nocauteados pela necessidade de dinheiro extra por falta de condições de manter sua dignidade pessoal, com o pagamento de suas contas em dia, e, por isso, "vamos à La Caixa, oh, oh, oh, oh, oh", parodiando uma antiga canção de sucesso nesse país de incultos...

Ai fica a pergunta: professores e aposentados: Comemorar o quê? Ainda assim, desejo a todos os companheiros e companheiras professoras e professores, um Feliz Dia dos Professores. Até a próxima...