sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Polícia X Polícia: A culpa é do PSDB e de Serra

"Não vamos negociar com uma arma no pescoço". Essa foi a última frase proferida pelo governador José Serra durante entrevista no Palácio dos Bandeirantes na noite da última quinta-feira, para divulgar que o Governo não vai negociar com os Policiais Civis em greve. Na realidade, a frase serve para ilustrar o que tem sido os mais de 14 anos de governo exercidos pelo PSDB e a corja que se aninha nas salas e gabinetes do Governo de São Paulo.

O confronto entre policiais civis e militares na tarde da quinta-feira foi provocado pelo próprio José Serra e seu partido. Ao jogar pessoas que cuidam da segurança da população paulista uns contra os outros, Serra demonstra nenhuma habilidade política para resolver um dos mais graves problemas do funcionalismo público paulista. Ora Governador, quem está "com uma arma no pescoço" são os milhares de servidores públicos estaduais desvalorizados pela política neoliberal de seu governo e de seus companheiros de partido desde que assumiram a chefia do Executivo de São Paulo. A começar por Mário Covas, e, na seqüência Geraldo Alckmin, os governos tucanos arrebentaram com o funcionalismo paulista com a desculpa de que era preciso promover o ajuste financeiro do Estado. Venderam estatais para arrecadar dinheiro para suas campanhas políticas e quem paga o preço são os servidores da ativa, aposentados e o povo paulista.

O arrocho é o mesmo que "uma arma no pescoço". Se comparados a outros estados, os salários pagos pelo mais rico Estado da Federação aos seus servidores são motivo de chacota nacional. Existe a possibilidade de melhorar os salários sim. Os governantes afirmam que os salários são adequados, mas, eles mesmos recebem valores muito superiores aos pisos pagos aos servidores. Assim é fácil falar que os salários são adequados. A valorização profissional deve ser feita com reajustes que reponham os índices inflacionários e promovam reajustes reais, a fim de que os servidores possam manter com dignidade seus familiares. Mas não é assim que pensam e agem os governantes estaduais do PSDB. "Que se danem os servidores", deve ser o pensamento deles. E para os aposentados a situação é pior ainda.

O confronto entre policiais civis e militares mostra esse descaso. O Governador veio a público dizer que a greve é eleitoreira. Ora Serra, enxergue a realidade: a greve é por necessidade. Acha então, que todos os servidores que reclamam de salário querem derrubar você e seus asseclas peessedebistas porque estão pensando nas eleições da capital? E os policiais do interior do Estado que foram ao ato da última quinta na capital, também estão pensando em ajudar algum candidato contrário a você? É muita arrogância e prepotência. O que querem os policiais civis é o mesmo que querem os policiais militares (que não podem fazer manifestações, caso contrário serão presos conforme determina o Regimento Disciplinas da PM e a Constituição Federal e Paulista), os professores, os servidores da saúde e de todas as outras secretarias de visibilidade do Governo Estadual.

O que todos querem é dignidade, é reajuste salarial sim, sem arrocho e sem demagogia. Não quer enfrentar greve, cumpra a data-base aprovada pela Assembléia Legislativa, lei que você desrespeita. Todos querem melhores condições de vida, que dependem de salários adequados pela profissão exercida. Não reclamariam se estivessem recebendo o merecido. Na realidade, esses governantes são arrogantes, e, mesmo dependendo do apoio popular, resolvem agir de acordo com seus interesses e preceitos. A política do Estado Mínimo do Neoliberalismo é o que interessa, pois sem investimentos em setores essenciais à população, sobra mais dinheiro para obras que rendem comissões e outras vantagens aos governantes. Para a população e os servidores públicos? A estes sobram as bananas...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dia do Professor: Não há o que comemorar...

* Paulo Lyra

Neste dia 15 de outubro se comemora o Dia do Professor. Lamentavelmente, não temos muito que comemorar.

Desde meados da década de 1900, os professores e a educação paulista estão sendo vítimas de um deliberado governo neoliberal, que arrocha salários e faz de tudo para que o ensino não tenha qualidade, embora o apregoado na imprensa seja outra coisa.

Progressão continuada, recuperação de férias e de ciclos, e, por último, o apostilamento do ensino paulista de acordo com a vontade de um grupo de profissionais de gabinete que não têm noção real do que é uma aula ao vivo e a cores.

Os profissionais em educação foram relegados a segundo plano, aviltados em seus direitos, desrespeitados em salas de aulas por todo o Estado, e, agora também em Pereira Barreto, quando alguns alunos se acham no direito de proferir impropérios aos seus professores, ou, até mesmo agredi-los fisicamente.

Infelizmente, o Dia do Professor não é um grande dia neste ano. Mais uma vez o desrespeito marcou a campanha salarial desenvolvida pela APEOESP e parte de seus associados. Mais uma vez a categoria mostrou estar despreparada para enfrentar os desmandos e o descaso do governo estadual para com a educação. Os que pararam, grevistas, foram punidos com o desconto em folha, realizado com a intenção de forçá-los a retornar às aulas o mais rápido possível, e o fato propagandeado em rede nacional, para demonstrar o descaso do governo, que divulgava inverdades sobre índices de reajustes elevados, numa mentira que englobava a concessão da incorporação de abonos e gratificações por parte do governo. Os professores já ganhavam isso, portanto, não foi reajuste de salário, mas, dito pela imprensa e com o aval do Governo, é como a prática nazista de Josef Goebels, de que uma mentira dita 100 vezes, vira verdade absoluta.

Isso é o governo PSDB em São Paulo. Já são mais de 14 anos de poder, e os professores e outras categorias do funcionalismo público não conseguem emplacar uma vitória de destaque no embate patrão-empregado.

Via de regra, a Polícia Civil de São Paulo está em greve. Ainda não se tem notícia de eventuais descontos na folha de pagamento, mas quanto a isso, fui informado por um amigo policial civil de que o desconto não ocorreria, uma vez que todos estão assinando o ponto normalmente, mas não estão trabalhando. Seria a chamada Greve branca que tanto a APEOESP evita? Ao que parece sim, mas não vem ao caso.

Vale lembrar que o Dia do Professor não tem motivos para ser comemorado pelos professores. Lamentavelmente, as instituições estão deterioradas em seu poder de reivindicação, e, assim, é mais fácil realizar festas comemorativas do que realizar paralisações acertadas, como neste momento em que a Civil está em greve, e poderíamos reforçar a luta de todos os funcionários do Estado por salários mais justos e dignos. Não encerrar o ano letivo seria uma forma de pressionar o governo do Estado, mas, parece fora de cogitação.

Mesmo contrariado, sou obrigado a reconhecer que Gustavo Ioshipe, colunista da Veja e conferencista está certo: não é o salário que melhora a educação. Só discordo de sua fala ao entender que o que melhoraria e educação seria contar com professores mais politizados e dispostos ao enfrentamento com um governo que se nega a reconhecer que ele errou com seus projetos educacionais e com o achatamento salarial. Lamentavelmente, os incultos vencem com o discurso de que não podem deixar de receber o mísero salário devido às dívidas contraídas, muitas vezes, com o próprio pagador através de seu banco oficial, a Nossa Caixa, que concede empréstimos a "juros baixos" e renegociações destes prolongando a quantidade de meses a pagar, mantendo na "lona", por anos, professores nocauteados pela necessidade de dinheiro extra por falta de condições de manter sua dignidade pessoal, com o pagamento de suas contas em dia, e, por isso, "vamos à La Caixa, oh, oh, oh, oh, oh", parodiando uma antiga canção de sucesso nesse país de incultos...

Ai fica a pergunta: professores e aposentados: Comemorar o quê? Ainda assim, desejo a todos os companheiros e companheiras professoras e professores, um Feliz Dia dos Professores. Até a próxima...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A Grande Mentira do Governo

O Governo do Estado de São Paulo que não adotou, nos últimos doze anos, nenhum tipo de política salarial. Propaga grandes mentiras no que se refere aos salários do Magistério. Infelizmente, a mentira é tanta que acaba com sabor de verdade. É a velha teoria da Grande Mentira, aplicada pelos nazistas durante a Segunda Guerra mundial que continua fazendo vítimas importantes.

A greve do magistério nada mais é do que a expressão da revolta e da indignação dos docentes com as mentiras dos governos estaduais desde Mário Covas.

No ano passado, num dia de grande manifestação, o governo Serra instituiu algumas gratificações para dividir o movimento. Para o Professor incorporou uma gratificação de R$ 40,00 que já existia, ou seja não houve nenhum tipo de reajuste. O governo insistia através da mídia que havia reajustado em 17% os salários do Magistério.

Na base da mesma técnica mentirosa, neste ano (2008), desde o início do movimento grevista, o governo insiste em dizer que está reajustou os salários em 12,2%. Ora, o governo incorporou uma gratificação já existente desde o ano 2000 e reajustou a tabela do Magistério em apenas 5%, conforme Lei Estadual aprovada pela ALESP.

A verdade é que o governo do estado de São Paulo, nos últimos doze anos, faz reformas e mais reformas na tabela dos salários do Magistério, bem como do funcionalismo. Sempre com um objetivo: “gastar menos”. A falta de uma política salarial para repor as perdas provoca o maior arrocho salarial da história do Magistério Paulista. Infelizmente, os Professores aposentados são os mais prejudicados.

A política de Bônus, Abonos, Prêmios e Gratificações deturpam o Estatuto do Magistério.
A APEOESP exige uma política salarial para reposição das perdas, bem como uma política de recursos humanos que possa valorizar o docente e que possa contribuir com a melhoria dos índices de desenvolvimento humano (IDH) do Estado de São Paulo, bem como do país.

Na verdade, os salários dos docentes são considerados os piores do mundo. Como conseqüência, os alunos brasileiros conseguem os piores resultados nos testes internacionais. Quem é o culpado ?! Só não vê... Quem não quer...

Para melhorar a Escola Pública só há um caminho “recuperar as perdas salariais dos docentes, dos funcionários e respectivos aposentados”, bem como tratar os docentes com respeito.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Voto consciente deveria ser pauta para candidatos

O voto consciente dos eleitores deveria ser a pauta e a principal bandeira para os candidatos às eleições municipais de 2008. Lamentavelmente, não é isso que ocorre. O que se verifica pelos quatro cantos da cidade são ações eleitoreiras disfarçadas, realizadas por pré-candidatos, que já estão realizando reuniões sociais regadas a cervejadas e churrascos. Quem tem dinheiro para “torrar”, está gastando por conta, com o intuito de “conquistar” a simpatia dos eleitores.

Pereira Barreto tem uma população em condições de votar com consciência, mas tem, também, candidatos propensos a distribuir os reais para angariar votos de pessoas que, sem esclarecimentos, troca seu voto por uma ninharia, por uma conta de água ou energia atrasada, por um medicamento que necessita e/ou outras coisas que poderia adquirir sem a “ajuda” de certos candidatos.

O caminho para que as eleições sejam feitas com o voto consciente está nas escolas. Lá, os professores têm o dever moral de orientar os estudantes a não aceitarem a tentativa de compra de voto, bem como a não pedirem “benefícios” para si próprios em troca de seu voto. Nos bancos escolares está a única alternativa para uma educação eleitoral voltada para o voto consciente.
O Tribunal Superior Eleitoral está veiculando propagandas educativas para o voto consciente, alertando que “voto não tem preço, tem conseqüências”, mas apenas as propagandas do órgão não são suficientes para que a população possa escolher seus candidatos com isenção, com atenção e com consciência.

É preciso que a divulgação dessas propagandas sejam ininterruptas, mesmo em períodos que não antecedam eleições.

A conscientização dos eleitores é fundamental para que todos os cidadãos de uma cidade, estado ou da nação possam escolher seus candidatos sem receberem a famosa “ajuda” dos candidatos.

O caminho é esse. Aos jovens pereirabarretenses fica o alerta para que não caiam no “conto do vigário político” e para que não sejam vítimas de estelionato político, uma vez que o candidato que compra o voto do eleitor não tem “obrigação” de dar satisfações a quem o elegeu, uma vez que esse candidato já pagou pelo voto, e, portanto, pode fazer da representatividade dada pelo eleitorado o que bem entender, participando de negociatas e agindo contra os interesses da população, votando projetos que prejudicam a coletividade ou simplesmente não fazendo nada para justificar a confiança dos eleitores.

Isso tem ocorrido em Pereira Barreto. É preciso mudar...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Pra galerinha do Anglo de Ilha Solteira

Vixi, quando percebi, estava assumindo o sério compromisso de trabalhar com o 4º e o 5º ano. Agora a coisa é complicada, rsrsrsrsrs.
Qual a primeira impressão? Nossa, foi 10. Eles são muito agitados, mas consegui conquistar a todos para a atenção necessária às aulas. Não é fácil, mas vamos caminhando.
Galerinha, então mãos à obra. Vamos que vamos, "bora" aprender História e Geografia.
A gente se vê na sala de aula...
Xau!

Mudanças radicais? Agora vai?

A educação de São Paulo vai passar por mudanças profundas, com novas propostas curriculares que vão interferir nas práticas pedagógicas em toda a rede estadual. Assim, é preciso estar ciente de que as mudanças que estão sendo implementadas estão sendo determinadas pela atual secretária Maria Helena Guimarães de Castro, sem consulta à quem quer que seja, professores, pais, alunos.
Não que não sejam necessárias mundaças no atual modelo, diga-se de passagem, criada pelo mesmo partido do atual governador José Serra. Desde Covas/Rose Neubauer, e, depois Alckmin/Chalita, a educação paulista vem sofrendo profundos reveses. São governantes do PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira, aquele que "enxugou" o Estado, colocando a casa em ordem, às custas do funcionalismo público, que penou por mais de 10 anos sem aumento salarial.
A implantação do projeto de progressão continuada, que "leva em conta a auto-estima" de nossos alunos, criou uma geração inteira de estudantes desinteressados e cientes de que, para ser "promovido" de um ano para outro, era preciso apenas comparecer à escola, e, muitas vezes, nem isso era exigido.
Os resultados das avaliações externas são prova disso. Aliás, os péssimos resultados.
Agora, sob a batuta de mais uma "doutora" de gabinete, estamos vivenciando novas mudanças. É preciso estar abertos às mudanças. Vamos desenvolver o que está sendo "determinado" pela Secretaria de Estado. Daremos um crédito de confiança de que este não é apenas mais um projeto inutil que venha, no futuro, a prejudicar nossos alunos. Chega de politicagem com a educação pública.
É preciso seriedade.
VEJA
Como lamento que veículos de informação importantes como VEJA trabalhem para detonar com uma categoria que vem sofrendo ataques vexatórios em seus salários, parcos salários.
Cláudio de Moura e Castro, Gustavo Ioschpe, Stephan Kanitz, entre outros mais, são "verdadeiros" teóricos em educação, sem, no entanto, serem educadores de sala de aula. Pergunto: o que leva um economista como Gustavo Ioschpe tornar-se especialista em educação?
Respondo-lhe: a incompetência de ser economista, e, aí, com ares de "doutor", meter-se a besta para escrever sobre educação, criticando professores, considerando-os classistas demais. Ora, qual profissional não defende aumento salarial para si e sua categoria? Fora isso, é preciso entender de sala de aula, não de pesquisa, para averiguar, de fato, o caos a que estão submetidos a educação pública e os professores. Ninguém quer ser "coitadinho" não. Queremos sim, sermos respeitados, valorizados, e, porque não, bem pagos sim. Por acaso alguns desses "novos teóricos", ou pelo menos metidos a isso ganham pouco?
Sejamos francos. Todos ganham bem, e, por isso, decidem que podem detonar com os professores, alegando que esses ganham bem. Tenha santa paciência!
Chega disso. Querem ajudar? Parem de escrever balelas e enfrentem uma sala de aula, com todos os problemas típicos atuais.
Quem sabe assim, tenhamos melhores alunos, educados por esses "novos teóricos" como Kanitz, Ioschpe, Moura e Castro e outros. Mas, para encerrar: esses senhores estudaram também, não? Têm diploma de curso superior, não? Ganham bem, não? Ah, então não gostariam de ser professores, sabe por quê? Porque estes ganham mal, muito mal.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Joãozinho vai disputar as eleições 2008

A vantagem de ser jornalista é que você obtém informações privilegiadas antes que elas cheguem ao público em geral. É fascinante essa profissão.

E, com o privilégio concedido a poucos, tive o prazer de receber em primeira mão, a confirmação de que Joãozinho pretende disputar as eleições de 2008.

Apesar de não poder falar como candidato, Joãozinho confidenciou-me o desejo de disputar sua 5ª eleição, e, eu não poderia ter tido melhor notícia.

Sou eleitor de carteirinha de Joãozinho, pela amizade, pelo companheirismo, mas, principalmente por saber de sua competência administrativa, mesmo em períodos de crise.

Seja contra quem for, é bom saber que ele estará na disputa deste ano. Sou um dos quase sete mil votos que ele obteve em 2004, e estarei nas ruas pedindo votos para que ele possa vencer as eleições de 2008, e, finalmente, realizar o sonho de administrar a cidade que, segundo ele mesmo, aprendeu a amar e a desejar vê-la desenvolvida, gerando riqueza para sua população, com empregos, saúde, segurança e educação de qualidade.

O quadro político que está sendo desenhado pelas movimentações dos pretensos candidatos a candidato mostra grandes chances para que Joãozinho chegue à Prefeitura Municipal com o apoio da maioria da população pereirabarretense.

Este será, de fato, um grande ano, e teremos uma grande disputa pelo cargo de prefeito e de vereadores. Será um ano marcado pela mudança dos rumos políticos, pela troca da maioria dos vereadores da Câmara Municipal, em busca de um Legislativo forte, renovado, compromissado com o futuro da cidade e de seu povo, sem interesses pessoais. A hora dessas mudanças está se aproximando. Em breve todos nós poderemos participar dessa mudança.

Com Joãozinho na disputa eleitoral de 2008, os eleitores têm a garantia de poder contar com a responsabilidade e o compromisso de fazer de Pereira Barreto um dos destaques da região noroeste do Estado, e, para isso, você também terá a responsabilidade de votar corretamente. Chega de votos trocados, comprados, vendidos, de cabresto, de acordo. É preciso votar seriamente, e em você mesmo. Nada de trocar seu voto por qualquer que seja o "benefício" oferecido pelos candidatos. É preciso votar consciente, para que sua participação política e sua escolha sejam respeitadas não só pela sociedade como também pelo candidato escolhido. Seu voto não tem preço, tem conseqüências. Pense nisso!
Arregace as mangas e trabalhe, nem que seja voluntariamente, para realizar uma escolha correta e que seja a mais acertada para que nossa Pereira Barreto possa permanecer no rumo da responsabilidade e da seriedade com a coisa pública. Isso pode e deve ser feito por todos nós.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Perdi meu Mestre e um amigo

Não posso deixar de registrar a perda de um grande amigo, e, antes de tudo, meu Mestre.

Se hoje me consideram um bom professor, devo tudo a esse grande mestre. Ensinou-me a ser questionador, sem medo de represálias, para dizer o que penso e assumir a responsabilidade por esse ato.

José Cândido sabia interpelar, sabia cobrar, sabia exigir, e, com isso, sabia ensinar. Bons tempos os que ele nos colocava diante de toda a turma para apresentar nossos trabalhos na faculdade.

Competente, compenetrado, Cândinho nunca foi injusto. Sempre exigiu, é verdade, mas nunca sem embasamento teórico ou prático.

Mestre e amigo vou sentir muitas saudades e nunca me esquecerei de você.

Saudades sempre.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

É preciso seriedade em educação

Por vezes, textos excelentes circulam pelas páginas dos principais jornais do país, mas não têm amplo poder de penetração onde deveriam ter.

Transcrevo a seguir, texto de um professor doutor em Ciências Políticas da PUC/SP, Renaldo A. Gonçalves.

Vale a pena ler...

O futuro roubado

Se um estrangeiro comparar o artigo 211 da Constituição brasileira, que trata do regime de colaboração entre os entes federados para o desenvolvimento do ensino, com a prática dos nossos governantes, só há duas conclusões possíveis: ou o texto escrito na lei está errado ou os governantes desconhecem a Constituição. O exemplo desta contradição está na declaração do Ministério da Educação culpando um Estado governado pela oposição para explicar o mau desempenho do Brasil no exame do Pisa. O senador José Sarney, no artigo Nós e os macacos (JB, 7/12), apontou também a mesma direção, afirmando: "O que nos faz mais preocupados é o fato de São Paulo, Estado mais rico do País, apresentar índices baixos, o que exclui um vínculo entre pobreza e baixo índice educacional."

O hábito de "culpar" o outro e desconhecer a realidade nacional é o procedimento comum das nossas autoridades. Este costume pode ser chamado de "responsabilidade difusa", pois permite ao governante nunca se comprometer com os afazeres da sua alçada.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) é mais um exemplo de responsabilidade difusa quando diz que os municípios devem oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e, com prioridade, o ensino fundamental (o grifo é meu). A prioridade definida na lei, quando contrastada com os censos de 2005 e 2006, revela que, dos 5.564 municípios brasileiros, 57,28% não têm sistema próprio de ensino, 32,42% não têm Conselho Municipal de Educação e 69% não têm Plano Municipal de Educação.

Os censos escolares revelam que a prioridade do ensino fundamental, para nossos governantes, é muito relativa. Há 163 mil escolas de ensino fundamental no País e, destas, cerca de 66% não têm biblioteca ou sala de leitura, 16% operam sem energia elétrica, 6,5% não têm esgoto, 7% não têm sanitários para professores e alunos e 2,5% não têm água; estas são majoritariamente municipais, localizam-se na maioria das vezes na zona rural e, preferencialmente, nas Regiões Norte e Nordeste.

Pode-se estimar que 4 milhões a 13 milhões de alunos do ensino fundamental não têm acesso à infra-estrutura básica citada acima. Não trataremos de outros fatores críticos, como a escolaridade dos docentes, a ausência de recursos pedagógicos ou a existência de escolas multisseriadas - uma única sala de aula para atender a várias séries -, esses elementos piorariam o mapa da exclusão escolar.

O analfabetismo e a pobreza transgeracional, transmitida de pai para filho, existentes no Estado de origem de Sarney e no Amapá, que ele representa no Senado, são exemplos vivos de que há forte relação entre pobreza e baixo índice educacional.

Que autoridade poderá responder pelos descalabros apontados nos censos das escolas públicas brasileiras? Talvez não haja no Brasil autoridade que possa interessar-se pela construção de um sistema de escolas públicas com infra-estrutura de boa qualidade, que reverta o retrato apresentado. Para isso ocorrer seria necessário mudar a LDB, explicitando que o ensino fundamental é papel exclusivo dos municípios - teria, finalmente, um responsável. Estes, por sua vez, deveriam contar com recursos financeiros dos Estados e da União, para priorizar a equalização da infra-estrutura e os ambientes de suas escolas. Seria preciso também estabelecer um novo formato de financiamento federativo, impor limites ao uso eleitoral da educação e tornar efetiva a cooperação disseminada no artigo 211 da Constituição.

Estas são as condições mínimas para desenvolver um pacto pela educação, fazer uma ação coordenada pelo Estado por uma escola pública de melhor qualidade.

Quanto aos recursos financeiros, podemos afirmar que nossos prefeitos, governadores e o presidente não se podem queixar de falta de dinheiro, pois há aproximadamente R$ 120 bilhões disponíveis para a educação, além do que a população entrega, docilmente, 40% da riqueza do País aos governantes.

Os recursos obtidos da sociedade são divididos entre os entes federados via Fundos de Participação, não havendo nenhum esforço dos políticos para captá-los, nenhum ônus, nenhum desgaste. Nunca vimos ou veremos um prefeito ou governador nos palanques, TVs ou rádios pedindo dinheiro aos contribuintes.

Os prefeitos brigam com o IBGE por "errar" o censo 2007 (Estado, 22/10) e com isso reduzir as transferências do Fundo de Participação dos Municípios. É assim que se ganha o dinheiro do contribuinte na Federação e o mais grave é que não há ligação imediata entre o dinheiro pago em tributos e sua aplicação.

Nossos governantes desfrutam um conforto institucional que não guarda relação alguma com a realidade do Brasil: gastam o dinheiro que não é deles com total liberdade, têm pouca cobrança de coerência ou de qualidade nos gastos e são fiscalizados esporadicamente.

O federalismo que construímos é exótico. Se analisado da perspectiva da arrecadação, é igual a um país unitarista, mas, pelo lado dos gastos, temos uma Federação com liberdade ilimitada, nos três níveis de poder.

Como exemplo de distorção federativa, podemos citar o Acre e o Amapá, que disponibilizam os maiores recursos do Brasil para a educação do ensino fundamental, mas deixam 15% e 7%, respectivamente, das crianças com 7 a 14 anos de idade fora da escola.

É necessário avançar para uma nova escola que, em perspectiva democrática, amplie a escolaridade da população, mas não dependa da riqueza da região, Estado ou município onde o indivíduo reside, e sim da gestão integrada dos recursos totais de que o País dispõe para aplicar.

Mudar o rumo da educação, corrigindo as desigualdades existentes nas escolas públicas do País, é crucial para solidificar uma sociedade plural e com desenvolvimento econômico sustentável que desejamos. De outra maneira continuaremos sendo o país do futuro, que sempre será roubado por nossos políticos.

Renaldo A. Gonçalves, mestre em Economia e doutor em Ciências Políticas, é professor da FEA da PUC-SP