A educação é base do desenvolvimento de todos os países considerados ricos no mundo globalizado. Ela deve ser sempre prioridade de governantes sérios, compromissados com o futuro de um município, de um estado, de um país e de sua população.
Nesta análise, nada mais justo, então, do que a determinação de investimentos maciços no setor, por parte dos administradores públicos. Infelizmente, não é o que acontece. No Brasil, muitos dos governantes entendem os investimentos em educação como gasto público, e não investimento real, para o futuro. Com isso, nossos alunos acabam sendo prejudicados, pois têm um ensino de qualidade duvidosa, baseada em projetos também duvidosos, ou em planos mirabolantes que prometem acabar com o analfabetismo e a repetência escolar num passe de mágica. Passe de mágica mesmo, como é o caso da Progressão Continuada em São Paulo.
Somente agora é possível realizar a avaliação e a leitura correta dos resultados da nova política educacional instituída e mantida pelos sucessivos governos do PSDB em São Paulo e no Brasil. Teoricamente, a progressão continuada é uma excepcional forma para resolver de uma só vez dois grandes problemas enfrentados pela educação até sua implementação: Um é de ordem pedagógica e o outro, estatístico/financeiro.
Para muitos educadores, a progressão continuada eleva a auto-estima do aluno, uma vez que não existem riscos de repetência, e, embora ela possa ocorrer ao final do ciclo, raramente se tem notícia de que foi efetivamente aplicada quando o aluno apresentava problemas de aprendizagem, ou seja, acabou virando promoção automática.
O segundo problema, estatístico/financeiro, existia em virtude de o Brasil necessitar cumprir as metas estabelecidas no plano decenal da educação brasileira, para a redução do número de crianças fora da escola e os indicadores de repetência escolar, e, é extremamente coerente afirmar aqui, que reduzir o número de crianças repetentes significa reduzir, e muito, os gastos com o setor para o Estado.
Os resultados desta política todos conhecem: hoje muitas crianças chegam a 8ª série sem saber ler e escrever adequadamente, aumentando assim a exclusão social da população que, não conta com nenhum tipo de qualidade de ensino. Dizer que a culpa é dos professores é cômodo, pois assim, salvam-se as boas intenções do governo, e de boas intenções o “inferno está cheio”.
Desde a implantação da proposta, muitas necessidades foram deixadas de lado pelos governantes, como a forma como seria aplicada essa nova política educacional, como os docentes assimilariam a proposta, como foi criada a política, se houve ampla discussão do novo sistema com a sociedade e com a comunidade escolar, qual o apoio que seria oferecido aos docentes para o entendimento, discussão e reflexão das mudanças e de suas conseqüências no futuro, entre muitas outras questões que poderiam ser levantadas aqui.
O que se viu, no entanto, nas escolas paulistas, foi a imposição “goela abaixo” de uma nova proposta, considerada renovadora sem dúvida alguma, teoricamente sem erros, mas uma proposta que não deu à comunidade escolar a possibilidade de reflexão sobre sua prática, sobre o que e como fazer a partir da mudança pedagógica imposta aos professores e professoras, aos alunos e alunas e a toda a comunidade escolar.
Foi justamente aí que a progressão continuada virou promoção automática, foi aí também que muitos de nossos alunos se “perderam” e foram perdidos em nossas escolas, e hoje são encontrados nas oitavas séries do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever, e, pior, ainda “progredindo” para o ensino médio, lamentavelmente, nas mesmas condições em que chegaram ao final do ciclo II do Ensino Fundamental. Nosso futuro, lamentavelmente, está comprometido por essa política nefasta implantada por Covas/Rose Neubauer, e mantida por Alckmin/Chalita e seus sucessores. O insucesso de nossos alunos é desses irresponsáveis. É hora de arregaçar as mangas e trabalhar para arrumar a casa.
Olá,
ResponderExcluirpasso sempre aqui e noto que houve pouquíssimas postagens, fico triste, sei que o professor é uma pessoa atarefada, mas, se a ideologia do blog é falar sobre as problemáticas enfrentadas tanto em nossa cidade quanto em outras tantas áreas da política e de nossa sociedade como um todo, temo que haja pouco dito até agora visto que temos os mais diversos problemas em esfera local que merecem ser abordados.
Eu poderia citar inúmeros fatos que merecem um olhar um pouco mais demorado, como a falta de água que enfrentamos diariamente (sei que isso já foi abordado, mas, merece espaço), o problema do abandono que não só o poder executivo, mas, a própria polícia tem por nossa cidade, poderia inclusive dizer que o que vivemos atualmente é um estado calamitoso, não apenas uma crise.
Acredito que já tenha visto um filme da série “Loucademia de polícia” que se entitula “Cidade Sitiada”, pois bem, é assim que me sinto em Pereira Barreto.
Luiz Fernando P. Quirino
Volto a comentar, com a empolgação que me tomou no comentário anterior esqueci-me de citar um fato importante.
ResponderExcluirCreio que os argumentos acerca da educação têm base, e concordo plenamente. No entanto, lembro que há um fato não citado, que a meu ver é de suma importância, a geração de jovens alienados é importante para o estado, posto que pessoas sem cultura sejam facilmente manipuladas, por outro lado, temos a criação de uma série de delinqüentes juvenis, cuja fonte não é a pobreza, mas, a falta de uma educação sólida e rígida, educação essa que falta principalmente aos pais destes jovens. Tal falta de preparo gera um novo fator de discriminação, a idéia de que a pobreza leva à criminalidade.
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