terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Desempenho insuficiente dos alunos e nova Reforma curricular

Frente ao fracasso da escola pública paulista, a Secretaria da Educação elaborou novo projeto de Reforma Curricular. Infelizmente não atende nossas principais reivindicações: Novo Plano de Carreira com valorização do Professor e Nova Jornada de Trabalho.

A Secretaria da Educação, mais uma vez, jogará a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do novo projeto no trabalho docente. É de fato um plano audacioso, que exige metas para implantar a gratificação por produtividade (estímulo financeiro).

Lembram do bônus existente. Já é um estímulo financeiro. Não funciona tendo em vista que as causas não são equacionadas.

A categoria precisa de respeito com valorização financeira para todos. Em nenhum momento a Secretaria, nas mãos do PSDB há mais de uma década, perguntou à categoria quais eram suas sugestões e reivindicações para melhorar a qualidade das aulas da rede pública. Tudo vem de cima para baixo. É a mesma técnica desde a época do governador Paulo Maluf. Trata a Escola como despesa. Nunca como investimento.

Querem resolver os problemas do desempenho insuficiente dos alunos com introdução de um modelo profissionalizante na 3ª Série do Ensino Médio.

A Secretaria da Educação pretende retirar seis aulas da 3ª Série do Ensino Médio para implantar matérias de dois cursos técnicos, ou seja: Administração de Pequenos Negócios e Informática.

Cada curso técnico terá uma certificação a cada semestre da 3ª série do ensino médio, com mais um semestre intensivo após a conclusão do E.M. para obter a certificação de Ensino Técnico.

Há muito tempo, tanto o MEC como Secretaria da Educação estudam a implantação de um 4º Ano Profissionalizante. Parece que é uma tentativa de minimizar os custos e mais uma vez usar-se a máquina para propaganda política em futuras eleições, afinal, os estudantes sairão das escolas com uma formação técnica, questionável, é verdade, mas com certificado nas mãos. Assim, os custos com a manutenção de um curso técnico também cairão. Pobres ETEs do Centro Paula Souza. Pobre ensino médio regular. É uma medida para "inglês ver".

A questão é o desempenho insuficiente dos alunos. Para equacionar o problema resolvem diminuir o número de aulas para outras habilitações? Como?

As aulas teriam que melhorar sua qualidade jamais serem substituídas. O Projeto de Reforma Curricular, em resumo, é uma tentativa tecnicista que há muito está no cerne das decisões da Secretaria da Educação, já anunciado em pérolas de alguns secretários. "O nível das aulas não possui relação com o salário do professor"

A mesma equipe que é responsável pelo fracasso da escola pública paulista faz um novo projeto para solucionar os problemas. Já vimos vários filmes iguais.

A Secretaria da Educação pretende adotar as seguintes ações:

a) Orientar a equipe gestora com apoio da Supervisão e dos Assistentes Técnicos para fiscalizar o trabalho docente.

b) Orientar os Professores para ações na sala de aula.

Estão elaborando textos para todas as disciplinas, por bimestre, com agenda, conteúdo, bibliografia complementar, Atividades do Professor, Atividades dos Alunos, Avaliação e Recuperação paralela e continua (com atividades diferentes).

c) Continua o projeto de "Ler e Escrever" para todas as séries e para todas as disciplinas.

Vão acabar com os projetos diferenciados (podem existir no contra turno ou aos sábados). Vão acabar com a interferência na sala de aula dos projetos paralelos. Será?

Infelizmente, tudo está amarrado ao "novo currículo" através dos textos das aulas com muita tecnologia para acompanhar o trabalho do docente (volta do verdão que foi implantado pelos governos militares).

A Secretaria da Educação garante que as novas disciplinas profissionalizantes serão ministradas pelos professores existentes, e que ninguém diminuirá jornada por causa do "novo currículo".

Não haverá aulas de Psicologia e Sociologia nas escolas onde for adotado o "novo currículo". Os professores existentes vão lecionar uma matéria chamada Apoio à Continuidade do Ensino.

O governo pretende implantar o "ensino profissionalizante" para 100.000 alunos em 2008, ou seja, para mais ou menos 2.500 classes.

Algumas perguntas não respondidas:

  1. Quais são as disciplinas que perderão aulas?
  2. Como ficam os professores de Sociologia não efetivos?
  3. As disciplinas profissionalizantes através da Tele Aula serão atribuídas para quais professores?
  4. O Professor da Tele Aula será apenas monitor ou terá seu trabalho docente reconhecido (Avaliar, recuperar, promover ou reprovar?).
  5. Como fica a situação do Coordenador Pedagógico?

Ainda continuam brincando de fazer uma educação pública de qualidade. Infelizmente, temos que esperar mais três anos pra mudar tudo com seriedade.

Um comentário:

  1. Pois é professor, se tem uma coisa que posso dizer é que dou graças por já ter terminado o ensino médio e conseguir cursar uma faculdade de qualidade. No entanto me entristeço toda vez que vejo a grande lacuna entre o ensino público e o ensino de qualidade.

    Pretendo me formar como licenciado não pelo salário, não pelo estudo da ciência (que muito me atrai), mas sim para ter algo a acrescentar. Sempre fui um idealista, já quebrei muito a cara com isso, mas não mudei nada, espero um dia poder ver um ensino médio que forme profissionais, mas que forme jovens capacitados a cursar uma universidade. A educação pública em si é uma falta de educação. Quem pode compreender que o ensino médio das escolas de qualidade visa formar jovens vestibulandos, enquanto que o ensino público forma jovens cidadãos. Jovens cidadãos frustrados eu imagina, mas tudo bem pelo menos ainda são jovens...

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