Na última segunda-feira os professores comemoraram o seu dia. Mas, pensemos bem e observemos as reais condições de trabalho dos professores na atualidade.
Ao fazer isso, tenho a certeza de que todos os professores não têm o que comemorar.
Baixos salários, jornadas estafantes de trabalho, alunos que se rebelam contra uma política educacional e um sistema que não foi implementado através de debates com a comunidade escolar.
Infelizmente, nós professores não temos o que comemorar. Muitos professores fazem parte de um sindicato que não consegue impor as reivindicações da categoria – afundado numa disputa interna de grupos políticos que se autodenominam correntes sindicais: ArtSind (ligada ao PT), ArtNova (dissidentes da ArtSind que querem o poder), Oposição Alternativa, Corrente Sindical Classista, PSTU e outras – e sentem-se abandonados, cansados de não ver luta. Pelas manifestações recentes, os professores demonstram que não querem a greve, mas querem aumento de salário e valorização profissional, coisas que o sindicato, a APEOESP, não consegue negociar. E veja bem, a categoria está em campanha salarial desde Março efetivamente. Até agora, nada!
O descontentamento é grande. A APEOESP virou assistencialista: colônias de férias na praia e em estâncias turísticas, plano de saúde da Unimed, e o departamento jurídico, o único a funcionar a contento. Politicamente estamos atolados. Não saímos do lugar. E olha que temos um orçamento milionário para um sindicato de professores.
Infelizmente, no dia 15, não tivemos e não temos o que comemorar. Dia 19 tem festa para os professores da APEOESP, mas, com um detalhe: ao contrário de algumas subsedes, mais uma vez a festa da subsede de Pereira Barreto precisa de subvenção por parte dos professores, que deverão pagar R$ 10,00 cada um para participar, e sem poder ter a certeza de que poderão ficar até a hora que quiserem, como em anos anteriores, quando a festa foi "interrompida" quando muitos ainda queriam permanecer, mesmo com "comes e bebes" à vontade pagos por eles mesmos.
Infelizmente, também, ouço muitas reclamações da gestão da subsede em Pereira Barreto, mas, eleição é eleição, mesmo a da APEOESP, em que os candidatos saem com as urnas embaixo do braço e conseguem quase 100% de votos para si mesmos nestas urnas, numa espécie de "boca de urna" autorizada, já que "não tem" quem faça a eleição sindical (membros de outros sindicatos da CUT poderiam fazer – como muitas vezes professores da APEOESP fazem eleições em outros sindicatos) e não temos fiscais preparados para a eleição.
Se o descontentamento demonstrado por muitos professores, que ouvi pessoalmente, for efetivamente sério, ano que vem poderemos votar em um grupo diferente do que dirige a subsede de nossa entidade, renovando os quadros sindicais que atuam como nossas "lideranças" sindicais, mas que por vezes, fazem apenas o papel de professor, agem como professores e se esquecem de que foram eleitos para defender a categoria e acatar as decisões da entidade.
Salada mista ou não, nós professores não temos o que comemorar. Precisamos é mudar. Mudar de Governador, mudar de representantes sindicais, mudar de profissão, talvez...
Mas, sabemos que quem é professor de verdade ama o que faz, por isso, não mudaremos de profissão, mas que estamos descontentes, ah estamos!!!
Mesmo assim, Feliz Dia dos Professores, que com certeza merecem uma justa homenagem.
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