Lendo o comentário do amigo e ex-aluno Luiz Fernando Quirino, postado neste blog, vi sua preocupação com a situação social em Pereira Barreto. Como todo jovem universitário, Luiz Fernando, que já tinha alguma visão social enquanto aluno no Ensino Médio, passou a ver claramente as “coisas” da sociedade brasileira, e, em especial, da sociedade em que ele vive, a pereirabarretense.
Meu amigo se mostra preocupado com o “estado calamitoso” na questão da segurança pública. Diz que o Executivo e a própria polícia fazem pouco caso da situação. Citou o filme “Cidade Sitiada”, da série Loucademia de Polícia. Correto Luiz. Você tem visão sim. Compreendo suas preocupações, e concordo plenamente.
Em várias reportagens, o Diário Regional abordou em 2006, a questão da segurança pública em Pereira Barreto. Apontou problemas existentes nas corporações policiais, como a falta de efetivo, baixos salários, e o receio de um processo imposto pelo Ministério Público, em caso de denúncia vazia de marginais, como já ocorreu no município. Os policiais podem e sabem agir, mas, por vezes, acabam desmotivados para essa ação, uma vez que, em várias ocasiões, ao apresentarem uma ocorrência, os marginais acabam liberados antes mesmo de eles encerrarem o BO do atendimento passado controlador de rádio.
Alguns pseudo-marginais, que ainda engatinham na criminalidade e poderiam ser “salvos” com uma atitude mais rígida das autoridades, estão agindo como se pudessem mais que as polícias civil e militar. Andam pelas ruas da cidade numa postura de imponência criminosa, com os bonés tricotados, dos chamados “manos”, para assustar quem anda também pelas ruas. Já observei, por vezes, várias pessoas desviando sua trajetória para não passar ao lado desses elementos.
Não basta apenas o policiamento ostensivo. Não basta apenas a escola gratuita. Não basta apenas colocá-los para trabalhar meio período pela Legião Mirim. É preciso educação no lar. Falta atitude por parte dos pais. Falta ação.
Em seu comentário em meu blog, Luiz Fernando afirma “temos a criação de uma série de delinqüentes juvenis, cuja fonte não é a pobreza, mas, a falta de uma educação sólida e rígida, educação essa que falta principalmente aos pais destes jovens.”
Está totalmente correto. A criação desses delinqüentes juvenis que vemos pelas ruas de nossa cidade e em outras cidades do Estado e do país, é fruto da falta de educação no lar, uma educação que seja rígida, voltada aos princípios da autoridade paterna e materna. Quando se criou o Estatuto da Criança e do Adolescente, muitos acreditaram que a nova Lei seria um grande risco para a educação dos filhos, pensando que não poderiam “dar uns tapas” para corrigir eventuais e graves erros das crianças. No entanto, ao pensar assim, abriu-se demais a guarda. Já ouvi frases como “se você me bater eu te levo no Conselho Tutelar” ou, “você não pode me bater senão eu chamo a polícia”, proferidas por crianças e pré-adolescentes que mal saíram dos cueiros, e com isso, conseguiram intimidar a educação que lhes seria imposta pelos pais.
Não se trata de fazer apologia à educação com pancadas, longe disso, trata-se de dizer que os pais têm todo o direito de educar seus filhos da forma como entenderem adequada, mas não podem querer “amenizar" para os filhos, os castigos sofridos (merecidamente) quando crianças pelas artes cometidas. Nossos pais nos corrigiram, muitas vezes com cintadas, palmadas e sei lá o que mais utilizavam, e, nem por isso nos tornamos marginais.
A escola é a válvula para o sucesso, mas, infelizmente, nossas crianças e jovens que já “não querem nada com nada”, são cada vez mais incentivadas a não fazer nada com a progressão continuada, que já está morta, mas que o Estado não quer sepultar, preferindo cultuar uma política infrutífera, que jogou a qualidade da educação de São Paulo no lixo, e colabora para ver florescer o surgimento dos “manos” nas escolas, que desrespeitam professores e servidores públicos, mas que também desconhecem a lei, sem saber que podem ser punidos pelos atos e infrações cometidas.
Não, pobreza não leva ninguém à criminalidade. A convivência com o descaso, com a impunidade, muitas vezes dentro da própria escola, quando diretores eventualmente passam a mão na cabeça dos alunos, preferindo ignorar seus erros, a impunidade em casa “para que meus filhos não sofram o que sofri nas mãos de meus pais”, leva, muitas vezes, a adolescentes e adultos rebeldes, que não querem entender o sentido do respeito, da autoridade e não do autoritarismo.
Em minha sala de aula pratico muito o respeito, embora por vezes seja tentado a dar as “famosas tiradas” aprendidas com os alunos, mas de boa, num entendimento recíproco. Lá, a autoridade é respeitada, e eles entendem que é preciso ser assim, portanto, é possível sim salvar nossas crianças e jovens de caminhos indesejados pela família e pela própria sociedade. Tudo tem jeito, basta querer. Nossas autoridades precisam entender isso, e fazer acontecer, colaborando para evitar que o caos social seja instalado definitivamente e irreversivelmente em nossa cidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário