segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dia do Professor: Não há o que comemorar...

* Paulo Lyra

Neste dia 15 de outubro se comemora o Dia do Professor. Lamentavelmente, não temos muito que comemorar.

Desde meados da década de 1900, os professores e a educação paulista estão sendo vítimas de um deliberado governo neoliberal, que arrocha salários e faz de tudo para que o ensino não tenha qualidade, embora o apregoado na imprensa seja outra coisa.

Progressão continuada, recuperação de férias e de ciclos, e, por último, o apostilamento do ensino paulista de acordo com a vontade de um grupo de profissionais de gabinete que não têm noção real do que é uma aula ao vivo e a cores.

Os profissionais em educação foram relegados a segundo plano, aviltados em seus direitos, desrespeitados em salas de aulas por todo o Estado, e, agora também em Pereira Barreto, quando alguns alunos se acham no direito de proferir impropérios aos seus professores, ou, até mesmo agredi-los fisicamente.

Infelizmente, o Dia do Professor não é um grande dia neste ano. Mais uma vez o desrespeito marcou a campanha salarial desenvolvida pela APEOESP e parte de seus associados. Mais uma vez a categoria mostrou estar despreparada para enfrentar os desmandos e o descaso do governo estadual para com a educação. Os que pararam, grevistas, foram punidos com o desconto em folha, realizado com a intenção de forçá-los a retornar às aulas o mais rápido possível, e o fato propagandeado em rede nacional, para demonstrar o descaso do governo, que divulgava inverdades sobre índices de reajustes elevados, numa mentira que englobava a concessão da incorporação de abonos e gratificações por parte do governo. Os professores já ganhavam isso, portanto, não foi reajuste de salário, mas, dito pela imprensa e com o aval do Governo, é como a prática nazista de Josef Goebels, de que uma mentira dita 100 vezes, vira verdade absoluta.

Isso é o governo PSDB em São Paulo. Já são mais de 14 anos de poder, e os professores e outras categorias do funcionalismo público não conseguem emplacar uma vitória de destaque no embate patrão-empregado.

Via de regra, a Polícia Civil de São Paulo está em greve. Ainda não se tem notícia de eventuais descontos na folha de pagamento, mas quanto a isso, fui informado por um amigo policial civil de que o desconto não ocorreria, uma vez que todos estão assinando o ponto normalmente, mas não estão trabalhando. Seria a chamada Greve branca que tanto a APEOESP evita? Ao que parece sim, mas não vem ao caso.

Vale lembrar que o Dia do Professor não tem motivos para ser comemorado pelos professores. Lamentavelmente, as instituições estão deterioradas em seu poder de reivindicação, e, assim, é mais fácil realizar festas comemorativas do que realizar paralisações acertadas, como neste momento em que a Civil está em greve, e poderíamos reforçar a luta de todos os funcionários do Estado por salários mais justos e dignos. Não encerrar o ano letivo seria uma forma de pressionar o governo do Estado, mas, parece fora de cogitação.

Mesmo contrariado, sou obrigado a reconhecer que Gustavo Ioshipe, colunista da Veja e conferencista está certo: não é o salário que melhora a educação. Só discordo de sua fala ao entender que o que melhoraria e educação seria contar com professores mais politizados e dispostos ao enfrentamento com um governo que se nega a reconhecer que ele errou com seus projetos educacionais e com o achatamento salarial. Lamentavelmente, os incultos vencem com o discurso de que não podem deixar de receber o mísero salário devido às dívidas contraídas, muitas vezes, com o próprio pagador através de seu banco oficial, a Nossa Caixa, que concede empréstimos a "juros baixos" e renegociações destes prolongando a quantidade de meses a pagar, mantendo na "lona", por anos, professores nocauteados pela necessidade de dinheiro extra por falta de condições de manter sua dignidade pessoal, com o pagamento de suas contas em dia, e, por isso, "vamos à La Caixa, oh, oh, oh, oh, oh", parodiando uma antiga canção de sucesso nesse país de incultos...

Ai fica a pergunta: professores e aposentados: Comemorar o quê? Ainda assim, desejo a todos os companheiros e companheiras professoras e professores, um Feliz Dia dos Professores. Até a próxima...

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