"Não vamos negociar com uma arma no pescoço". Essa foi a última frase proferida pelo governador José Serra durante entrevista no Palácio dos Bandeirantes na noite da última quinta-feira, para divulgar que o Governo não vai negociar com os Policiais Civis em greve. Na realidade, a frase serve para ilustrar o que tem sido os mais de 14 anos de governo exercidos pelo PSDB e a corja que se aninha nas salas e gabinetes do Governo de São Paulo.
O confronto entre policiais civis e militares na tarde da quinta-feira foi provocado pelo próprio José Serra e seu partido. Ao jogar pessoas que cuidam da segurança da população paulista uns contra os outros, Serra demonstra nenhuma habilidade política para resolver um dos mais graves problemas do funcionalismo público paulista. Ora Governador, quem está "com uma arma no pescoço" são os milhares de servidores públicos estaduais desvalorizados pela política neoliberal de seu governo e de seus companheiros de partido desde que assumiram a chefia do Executivo de São Paulo. A começar por Mário Covas, e, na seqüência Geraldo Alckmin, os governos tucanos arrebentaram com o funcionalismo paulista com a desculpa de que era preciso promover o ajuste financeiro do Estado. Venderam estatais para arrecadar dinheiro para suas campanhas políticas e quem paga o preço são os servidores da ativa, aposentados e o povo paulista.
O arrocho é o mesmo que "uma arma no pescoço". Se comparados a outros estados, os salários pagos pelo mais rico Estado da Federação aos seus servidores são motivo de chacota nacional. Existe a possibilidade de melhorar os salários sim. Os governantes afirmam que os salários são adequados, mas, eles mesmos recebem valores muito superiores aos pisos pagos aos servidores. Assim é fácil falar que os salários são adequados. A valorização profissional deve ser feita com reajustes que reponham os índices inflacionários e promovam reajustes reais, a fim de que os servidores possam manter com dignidade seus familiares. Mas não é assim que pensam e agem os governantes estaduais do PSDB. "Que se danem os servidores", deve ser o pensamento deles. E para os aposentados a situação é pior ainda.
O confronto entre policiais civis e militares mostra esse descaso. O Governador veio a público dizer que a greve é eleitoreira. Ora Serra, enxergue a realidade: a greve é por necessidade. Acha então, que todos os servidores que reclamam de salário querem derrubar você e seus asseclas peessedebistas porque estão pensando nas eleições da capital? E os policiais do interior do Estado que foram ao ato da última quinta na capital, também estão pensando em ajudar algum candidato contrário a você? É muita arrogância e prepotência. O que querem os policiais civis é o mesmo que querem os policiais militares (que não podem fazer manifestações, caso contrário serão presos conforme determina o Regimento Disciplinas da PM e a Constituição Federal e Paulista), os professores, os servidores da saúde e de todas as outras secretarias de visibilidade do Governo Estadual.
O que todos querem é dignidade, é reajuste salarial sim, sem arrocho e sem demagogia. Não quer enfrentar greve, cumpra a data-base aprovada pela Assembléia Legislativa, lei que você desrespeita. Todos querem melhores condições de vida, que dependem de salários adequados pela profissão exercida. Não reclamariam se estivessem recebendo o merecido. Na realidade, esses governantes são arrogantes, e, mesmo dependendo do apoio popular, resolvem agir de acordo com seus interesses e preceitos. A política do Estado Mínimo do Neoliberalismo é o que interessa, pois sem investimentos em setores essenciais à população, sobra mais dinheiro para obras que rendem comissões e outras vantagens aos governantes. Para a população e os servidores públicos? A estes sobram as bananas...
Crônicas sobre os últimos acontecimentos políticos escritas de forma leve e sarcástica.
ResponderExcluirMosaico de Lama:
www.mosaicodelama.blosgpot.com
Boa leitura!